segunda-feira, 29 de março de 2010

Food Inc.



Este documentário, indicado ao Oscar, foi muito comentado ano passado por aqui, e há muito tempo eu venho querendo ve-lo. O documentário é focado na indústria alimentícia nos EUA, e trata de vários aspectos ligados a produção de grãos, carnes, e seus efeitos na população.

Claro que o documentário tenta chocar em algumas partes, com sucesso, e apela em alguns momentos para retratar os perigos da atual política de produção de alimentos, mas com certeza é um vídeo que mostra muito de aspectos que ninguém pensa quando compra frango embalado no supermercado, ou come numa lanchonete.

A primeira parte do filme trata da produção industrial bovina, suína e aviária, apresentada como desumana e insustentável ambiental e economicamente. As cenas que mostram a criação dos animais são bastante chocantes, tão diferente das imagens que tenho das fazendas brasileiras, com gado em criação extensiva. Os cercados pequenos, de terra batida, o gado com estrume até as canelas, e sendo alimentados puramente com ração à base de milho (que nem é sua dieta) para engordarem mais rápido. A imagem é realmente pavorosa. Também chocante é o resultado dessa forma de criação, quando vemos animais que nem conseguem se sustentar em pé, dado ao peso adquirido tão rápido e falta de exercício que na entrada do matadouro alguns só caminham nos joelhos, e outros são empurrados com empilhadeiras, como se fossem mercadoria em caixa. Os matadouros em si, altamente tecnológicos, eu já imaginava como era, e toda a parte do documentário que trata sobre a possível contaminação da carne nos frigoríficos eu já tinha uma idéia do que era.


A segunda parte do documentário mostra a indústria de grãos, principalmente soja e milho, que estão presentes de alguma forma em mais de 70% dos produtos que encontramos nos supermercados e como funciona essa produção, altamente subsidiada pelo governo, o que torna estes produtos pobres em nutrientes muito mais baratos que legumes e frutas frescos, fator que vem contribuindo diretamente para a obesidade nos EUA, principalmente na classe baixa. Aqui se fala um pouco sobre o xarope de milho, que hoje está presente em tantos alimentos que fica até difícil evitar consumi-lo, e é muito usado por aumentar a vida de prateleira dos alimentos e adoça como o açúcar por um custo muito mais baixo (e é péssimo para a saúde); e também sobre os estudos genéticos, e alterações feitas nas sementes, animais, etc para que a produção e criação seja maior e acelerada.


A terceira parte mostra o poder econômico e político das empresas alimentícias que controlam toda a produção, do fazendeiro ao consumidor, através de contratos que podem levar um produtor à falência se não cumpridos e leis que mantém o público desinformado sobre o que realmente está na comida e de onde ela vem e como é produzida. O documentário cita aqui grandes empresas como a Cargill, a Tyson, e principalmente a Monsanto.

A idéia final do filme é a urgência em mudar nossos hábitos alimentares, e aceitar pagar mais por um alimento mais saudável, com o intuito de boicotar mesmo essas empresas, de forma que no futuro elas sejam obrigadas a atender a demanda pública por produtos saudáveis, de forma que o governo passe a subsidiar o tipo certo de alimento. Também fala das vantagens de se comprar nos mercados locais, de pequenos produtores e criadores e mostra alguns fazendeiros pequenos, que ainda fazem criação extensiva, e o contraste dessa produção para os grandes latifúndios.

Eu gostei muito mesmo do documentário, e não há como não se ficar ruminando sobre nossa cultura e prioridades, e realmente, como diz o slogan do filme, eu "não verei meu jantar da mesma maneira" após assisti-lo. Toda a indústria de ração para as criações, até como o preço do petróleo influi diretamente no preço das carnes e produtos do mercado é muito bacana, como também foi muito legal ver a influência dessas empresas na política. Recomendo!

Ah! E deixo recomendação pessoal para meus pais ... vocês deveriam assistir a esse documentário, mesmo. Acho que o nome é Alimentos S.A. aí no Brasil.

3 comentários:

Diana Bitten disse...

Isso é um assunto que praticamente não comento com vc, mas quando eu parei de comer carne e optei por continuar assim não foi simplesmente por uma questão filosófico-religiosa, e sim por uma questão filosófico-ambiental.

No início, eu seguia uma linha mais espiritualista com certeza, mas para uma pessoa sem religião manter-se nessa linha é praticamente impossível. Na busca pelas respostas li tantos e tantos livros, e em alguns deles eu conheci essa linha ambientalista.

Essa sim me fez ter a segurança para manter a minha causa, uma alimentação mais natural e, principalmente longe da carne, para um mundo melhor e uma pessoa meu melhor (eu).

O passo que tenho tomado há um certo tempo, e isso vc não sabe, é deixar de comer pescado de arrastão. Evito AO MÁXIMO comer arrastões de qquer espécie e sempre que eu posso não penso duas vezes em optar.

Outras opções são pela agricultura domiciliar, empresas pequenas na fabricação de pães, abolição de refrigerantes... (é, a cerveja ainda está foda, preciso evoluir meu espírito para isso).

E não é: Diana é natureba... é chata... não, eu só me considero consciente e sou muito feliz por isso. Feliz e com a consciência tranquila.

Vanessita disse...

Laura, parabéns pelo teu blog! Cheguei até ele através do blog da Diana e já li bastante coisa, depois eu volto pra deixar alguns comentários. Queria dizer rapidamente que achei uma coisa fofa a estória do teu casamento (que Deus abençoe, seja muito feliz), que babei com as fotos da Europa e que já acrescentei algumas leituras e filmes ótimos pra minha lista aqui também.
Ah, e o papel de parede do teu blog é muito lindo! rsrs
Abraços

Laura Schwartz disse...

Muito obrigada Vanessa, e seja bem vinda! Espero que curta as recomendações!

Abraço!